A poesia do chileno Pablo Neruda

Pablo Neruda nasceu Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto em 12 de julho de 1904, em Parral (vilarejo da província de Linares, localizada na Região de Maule, no Chile), filho de um ferroviário e de uma professora primária. O pseudônimo Pablo Neruda foi adotado ainda na adolescência, inspirado no escritor tcheco Jan Neruda, e acabou se tornando seu nome legal.
Estudou Pedagogia em francês na Universidade do Chile e teve uma longa carreira diplomática, sendo cônsul do Chile na Espanha e no México. Foi senador, leu para mais de 100 mil pessoas no Estádio do Pacaembu em homenagem a Luís Carlos Prestes, foi Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford, foi Nobel de Literatura em 1971 e morreu de câncer na próstata em 23 de setembro de 1973, alguns dias após a queda de Salvador Allende no golpe militar comandado por Augusto Pinochet. Segundo a escritora Isabel Allende, em seu livro “Paula”, Neruda morreu de tristeza ao ver a queda do governo socialista no Chile. O funeral de Pablo Neruda foi uma das últimas manifestações públicas da esquerda — ainda que silenciosa — durante os anos da ditadura chilena. Neruda havia aberto mão de sua candidatura a presidente em favor de Allende nas eleições presidenciais de 1970.
O filme chamado Il Postino (também conhecido como O Carteiro e O Poeta no Brasil ou O Carteiro de Pablo Neruda em Portugal, de 1994) conta sua história na Isla Negra, no Chile, com sua terceira mulher, Matilde. No filme, que é uma obra de ficção, a ação foi transposta para a Itália, onde Neruda teria se exilado. Lá, numa ilha, torna-se amigo de um carteiro que lhe pede para ensinar a escrever versos para conquistar uma moça do povoado.
Uma de suas três casas no Chile, “La Chascona” em Santiago, abriga atualmente um museu com seus objetos pessoais. As outras duas casas do poeta ficam em Isla Negra e Valparaíso.

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IV
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Vês estas mãos?
Mediram a terra, separaram os minerais e os cereais,
fizeram a paz e a guerra, derrubaram as distâncias
de todos os mares e rios,
e, no entanto, quando te percorrem a ti,
pequena, grão de trigo, andorinha,
não chegam para abarcar-te,
esforçadas alcançam as palomas gêmeas
que repousam ou voam no teu peito,
percorrem as distâncias de tuas pernas,
enrolam-se na luz de tua cintura.
Para mim és tesouro mais intenso de imensidão
que o mar e seus racimos
e és branca, és azul e extensa como a terra na vindima.
Nesse território, de teus pés à tua fronte,
andando, andando, andando, eu passarei a vida.

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ESPEREMOS
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Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
– há fábricas de dias que virão –
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.

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SE CADA DIA CAI
.
Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
.
Há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

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PIDO SILENCIO

AHORA me dejen tranquilo.
Ahora se acostumbren sin mí.

Yo voy a cerrar los ojos

Y sólo quiero cinco cosas,
cinco raices preferidas.

Una es el amor sin fin.

Lo segundo es ver el otoño.
No puedo ser sin que las hojas
vuelen y vuelvan a la tierra.

Lo tercero es el grave invierno,
la lluvia que amé, la caricia
del fuego en el frío silvestre.

En cuarto lugar el verano
redondo como una sandía.

La quinta cosa son tus ojos,
Matilde mía, bienamada,
no quiero dormir sin tus ojos,
no quiero ser sin que me mires:
yo cambio la primavera
por que tú me sigas mirando.

Amigos, eso es cuanto quiero.
Es casi nada y casi todo.

Ahora si quieren se vayan.

He vivido tanto que un día
tendrán que olvidarme por fuerza,
borrándome de la pizarra:
mi corazón fue interminable.

Pero porque pido silencio
no crean que voy a morirme:
me pasa todo lo contrario:
sucede que voy a vivirme.

Sucede que soy y que sigo.

No será, pues, sino que adentro
de mí crecerán cereales,
primero los granos que rompen
la tierra para ver la luz,
pero la madre tierra es oscura:
y dentro de mí soy oscuro:
soy como un pozo en cuyas aguas
la noche deja sus estrellas
y sigue sola por el campo.

Se trata de que tanto he vivido
que quiero vivir otro tanto.

Nunca me sentí tan sonoro,
nunca he tenido tantos besos.

Ahora, como siempre, es temprano.
Vuela la luz con sus abejas.

Déjenme solo con el día.
Pido permiso para nacer.

.

Neruda, site em espanhol desenvolvido pela Universidade do Chile

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Sobre Niara de Oliveira

ardida como pimenta com limão! marginal, chaaaaaaata, comunista, libertária, biscate feminista, amante do cinema, "meio intelectual meio de esquerda", xavante, mãe do Calvin, gaúcha de Satolep, avulsa no mundo.
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Uma resposta para A poesia do chileno Pablo Neruda

  1. luci disse:

    haaaaaaaaaaaaaaaa

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